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INCLUIR é tão importante quanto ESTIMULAR

Assim que damos à luz uma criança com Síndrome de Down, passamos a ouvir constantemente um verbo que jamais deixará de fazer parte da nossa vida: ESTIMULAR. A cada novo profissional, seja ele médico, terapeuta, ou até mesmo a vizinha que também tem uma amiga que tem um “filho especial”, a pergunta é sempre a mesma: a criança está sendo devidamente estimulada? 

Entre as muitas pessoas de quem eu recebi este tipo de questionamento, poucas tiveram o trabalho de me explicar o que é mesmo “estimular”.  Cheguei a adquirir uma certa aversão pela palavra, por ela ser aplicada, a maior parte das vezes, de forma meio burocrática. Será que é a estimulação com hora e local marcados no consultório do terapeuta a garantia do desenvolvimento dos nosssos filhos com síndrome de Down?

É preciso termos clara a distinção entre o sentido clínico da estimulação precoce e aquela promovida no dia a dia, por todas as pessoas que participam da vida dos nossos filhos. A intervenção precoce através das terapias é fundamental e inquestionável, devendo ser iniciada o mais cedo possível. Mas a maior parte do trabalho (e do prazer!) de fomentar o desenvolvimento dos nossos filhos está nas nossas mãos, ajudando-os a participar desde cedo do dia a dia da família, incluindo-os nas brincadeiras, nos afazeres, conscientizando-os dos caminhos percorridos, das pessoas à sua volta… Enfim, apresentando-lhes o mundo com todas as suas cores e possibilidades, deixando-os à vontade para serem protagonistas de sua vida. E depois de mais de dois anos de experiência eu afirmo sem medo: INCLUIR é tão importante quanto ESTIMULAR.

O caminho inicial de pais e mães de crianças com síndrome de Down não é fácil. Além de alguns problemas de saúde que podem acontecer, precisamos lidar com o nosso próprio preconceito, que faz do nascimento de um filho com deficiência uma experiência de dor e decepção.  Mas a maior barreira a ser quebrada, no entanto, é que fiquemos tão bem informados com relação à deficiência, que ela se torne um pressuposto e determine negativamente a nossa atitude com relação àquela criança que, graças aos estigmas físicos, traz o rótulo do “atraso” como um verdadeiro carimbo. Lembro de um episódio em que minha filha foi carregada numa brincadeira de roda com outras crianças, apesar de poder andar…  Mais do que a orientação abstrata de estimular, pais e mães de crianças com síndrome de Down deveriam ser incentivados a promoverem a “inclusão precoce”, levando os filhos para todos os lugares e possibilitando-lhes as experiências oferecidas a quaisquer crianças. Parece óbvio? Sim, mas nem sempre é.  Porque a resposta a um beijinho, um aceno ou um sorriso pode demorar um pouco mais quando se trata de um bebê com síndrome de Down. É exatamente neste momento que o risco da exclusão começa.

 A INCLUSÃO precoce é o melhor estímulo.

No video, dança inclusiva na sala de casa

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